Fundado em 1961 em Olaria, o Cacique de Ramos é um dos berços mais importantes do samba e do pagode carioca. Sua quadra se tornou referência porque foi ali que surgiram os encontros que deram origem ao Fundo de Quintal, grupo que revolucionou o samba ao incorporar instrumentos como o tantan, o repique de mão e o banjo como protagonistas. Essa inovação criou uma nova estética rítmica que virou marca do pagode carioca e influenciou todo o país.
Desse mesmo caldo cultural surgiram vozes e compositores decisivos como Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha e Ubirany, artistas que expandiram o repertório e ajudaram a moldar o som do Rio nas décadas de 70 e 80. Entre os jovens que encontraram no Cacique um espaço de formação está Zeca Pagodinho, que frequentava as rodas, apresentava suas primeiras composições e consolidava ali a identidade musical que o transformaria em um dos grandes nomes do samba brasileiro.
O nome “Cacique de Ramos” nasceu do bloco carnavalesco criado pelos fundadores, inspirado na ideia de ancestralidade, liderança e pertencimento comunitário. A quadra sempre teve forte relação com a cultura negra da cidade, com a comunidade de Olaria e com o carnaval carioca, funcionando como ponto de encontro para ritmistas, compositores e sambistas que mantêm vivas as tradições do gênero.
A quadra é até hoje um território de resistência cultural, famoso por suas rodas, pela tradicional feijoada e pela presença constante de músicos, compositores e ritmistas que fazem do samba um organismo vivo.